Lei Seca pega drogas nas fiscalizações? Entenda a situação 

Nicholas Rodrigues
February 26, 2025

A segurança no trânsito é uma preocupação constante, e uma das principais medidas adotadas para reduzir os riscos de acidentes é a Lei Seca. No entanto, uma dúvida comum entre condutores é: a fiscalização da Lei Seca consegue identificar o uso de drogas?

Diferente do álcool, que pode ser detectado rapidamente pelo bafômetro, substâncias ilícitas como maconha, cocaína e ecstasy não são identificadas pelo mesmo método. Mas há outras formas de descobrir se o condutor fez uso dessas substâncias.  

Neste artigo, vamos esclarecer como funciona a fiscalização, quais métodos podem ser utilizados para detectar o uso de drogas e o que acontece caso um motorista seja suspeito de estar dirigindo sob efeito de substâncias ilícitas. 

Além disso, abordaremos as penalidades previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e os direitos do condutor diante de uma abordagem policial.

Afinal, a Lei Seca pega drogas nas fiscalizações? Continue lendo para descobrir! 

O que é a Lei Seca e como funciona a fiscalização?

A Lei Seca foi instituída no Brasil pela Lei nº 11.705/2008, com o objetivo de reduzir os acidentes de trânsito causados pelo consumo de álcool. Antes dessa legislação, motoristas flagrados dirigindo sob efeito de bebidas alcoólicas só eram penalizados caso o nível de álcool no sangue ultrapassasse um limite considerado tolerável. Com a nova lei, qualquer quantidade de álcool no organismo passou a ser passível de punição, tornando as regras mais rígidas.

A norma prevê que motoristas flagrados dirigindo sob efeito de álcool ou que se recusam a realizar o teste do bafômetro podem sofrer penalidades severas, incluindo multa gravíssima, suspensão da CNH e até detenção em casos mais graves. Essa rigidez visa não apenas punir infratores, mas também desestimular o consumo de álcool antes de dirigir, garantindo maior segurança no trânsito.

Como funcionam as blitzes da Lei Seca?

As fiscalizações da Lei Seca ocorrem por meio de blitzes organizadas em pontos estratégicos das cidades e rodovias. Essas operações são conduzidas por agentes de trânsito e policiais, que têm autoridade para parar veículos aleatoriamente e verificar se o motorista está dirigindo sob efeito de álcool.

O procedimento padrão de uma blitz da Lei Seca inclui:

  • Abordagem do veículo: o motorista é sinalizado para parar e deve apresentar documentos como CNH e CRLV.
  • Avaliação inicial: os agentes analisam sinais visíveis de embriaguez, como olhos avermelhados, fala alterada e hálito etílico.
  • Teste do bafômetro: se houver suspeita ou por rotina, o condutor pode ser convidado a realizar o teste de alcoolemia.
  • Ação conforme o resultado: dependendo do teor alcoólico detectado, podem ser aplicadas penalidades administrativas ou criminais.
  • Recusa ao teste: motoristas que se recusam a soprar o bafômetro são penalizados da mesma forma que aqueles flagrados com álcool no sangue, conforme o artigo 165-A do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

O bafômetro é o principal equipamento utilizado na fiscalização da Lei Seca. Ele mede a quantidade de álcool no ar alveolar, ou seja, no ar expirado pelos pulmões. 

Quando o motorista é flagrado no teste do bafômetro, ele pode:

✅ Receber multa gravíssima (com valor elevado e fator multiplicador).

✅ Ter suspensão da CNH por 12 meses.

✅ Ter o veículo apreendido (caso não haja outro condutor apto a dirigir).

✅ Risco de prisão, caso o nível de álcool seja considerado crime de trânsito - quando o aparelho registra a presença de álcool acima de 0,34 mg/l.

O que diz a lei sobre o uso de drogas na direção?

Embora o bafômetro seja eficiente na detecção de álcool, ele não é capaz de identificar o uso de drogas ilícitas. Porém o artigo 165 do CTB determina que dirigir sob efeito de qualquer substância que cause alteração da capacidade psicomotora é uma infração gravíssima. Isso inclui tanto o consumo de álcool quanto de drogas ilícitas.

Caso o motorista seja flagrado dirigindo sob o efeito de drogas, ele pode ser autuado mesmo sem a realização de exames específicos, caso apresente comportamento alterado ou outros sinais perceptíveis pelos agentes de trânsito.

O crime se configura quando há comprovação técnica da presença de substâncias psicoativas no organismo e quando o condutor demonstra comportamento incompatível com a direção segura, como dificuldade para manter a atenção, reflexos lentos ou alterações motoras.

Como a lei determina a comprovação do uso de drogas?

A comprovação do uso de substâncias ilícitas pode ser feita por:

🔎 Exames clínicos – realizados por médicos legistas para analisar sinais de comprometimento psicomotor.

🔎 Testes toxicológicos – coleta de sangue, saliva ou urina para identificar substâncias químicas no organismo.

🔎 Avaliação do comportamento do motorista – agentes de trânsito podem verificar sinais como olhos vermelhos, dificuldade para falar ou desorientação.

Caso o condutor recuse-se a fazer o exame toxicológico, a penalidade será equivalente à de um motorista que se recusa a soprar o bafômetro.

O que é o Drogômetro?

O drogômetro é um aparelho desenvolvido para detectar a presença de drogas no organismo de motoristas durante as fiscalizações de trânsito. Funciona de maneira semelhante ao bafômetro, mas, em vez de medir o nível de álcool no ar expirado, ele identifica substâncias psicoativas através da saliva.

Esse equipamento foi criado como uma alternativa para auxiliar os agentes de trânsito na identificação rápida de motoristas sob efeito de drogas como maconha, cocaína, anfetaminas, ecstasy e outras substâncias ilícitas, sem a necessidade de exames laboratoriais demorados.

O drogômetro no Brasil ainda está em fase de testes. Atualmente, não há uma regulamentação nacional obrigando o uso do aparelho nas fiscalizações, mas o governo e órgãos de trânsito estudam sua implementação definitiva para reforçar o combate ao uso de drogas na direção.

O drogômetro é um complemento ao bafômetro. Enquanto este continua sendo o principal meio de detecção do álcool, o drogômetro surge como uma ferramenta para identificar outros tipos de substâncias que alteram a capacidade do motorista.

Como se defender de uma acusação de dirigir sob efeito de drogas? 

Ser acusado de dirigir sob efeito de drogas pode trazer consequências severas, incluindo multa gravíssima, suspensão da CNH, processo criminal e até prisão. No entanto, o motorista tem o direito de se defender caso haja irregularidades na abordagem, como abuso de autoridade, ou nos exames realizados.

A seguir, explicamos as principais formas de defesa e os cuidados que o condutor deve tomar ao contestar uma autuação desse tipo.

1️⃣ Possibilidades de defesa no caso de uma autuação

Ao ser autuado por dirigir sob efeito de drogas, o motorista pode questionar a acusação com base em diferentes aspectos, como:

✅ Erros no procedimento da blitz – se houver falhas na abordagem ou se os agentes não seguirem os protocolos corretamente, a autuação pode ser contestada.

✅ Ausência de provas concretas – em muitos casos, a acusação é baseada apenas em sinais subjetivos, como “comportamento alterado” do condutor, sem um exame toxicológico que comprove o uso de drogas.

✅ Problemas no equipamento usado para o teste – caso seja aplicado algum teste, é possível verificar se o equipamento está devidamente calibrado e homologado.

✅ Prazo para apresentação da defesa – o motorista tem direito a recorrer dentro dos prazos estabelecidos pela lei, evitando penalidades automáticas.

2️⃣ Quando contestar o exame toxicológico ou o procedimento da blitz?

Se a acusação for baseada em um exame toxicológico, é possível contestá-la em algumas situações:

🛑 Falsos positivos – alguns medicamentos podem gerar resultados positivos para determinadas substâncias. Exemplo: remédios controlados para ansiedade ou TDAH podem ser confundidos com anfetaminas.

🛑 Amostra contaminada ou mal coletada – se houver dúvidas sobre a coleta ou armazenamento da amostra, a defesa pode exigir contraprova ou novo exame.

🛑 Tempo de detecção das drogas – diferente do bafômetro, que identifica o álcool no momento da abordagem, um exame toxicológico pode detectar substâncias consumidas dias ou até semanas antes. Se o motorista não estava sob efeito no momento da abordagem, a defesa pode questionar a relevância do resultado.

Além disso, se o motorista recusar o teste (toxicológico), ele pode ser penalizado automaticamente, mas ainda tem direito de contestar caso a abordagem tenha sido feita de forma irregular.

3️⃣ Importância de um advogado especializado em trânsito

Diante de uma acusação de dirigir sob efeito de drogas, contar com um advogado especializado em direito de trânsito pode ser decisivo para garantir um recurso bem fundamentado.

🔹 Análise das provas: o advogado pode verificar se a autuação foi aplicada corretamente e se há falhas nos exames.

🔹 Revisão do processo administrativo: erros burocráticos podem anular a penalidade, como prazos não respeitados ou falhas no preenchimento da autuação.

🔹 Defesa no âmbito criminal: se o caso evoluir para um processo criminal (Art. 306 do CTB), um advogado poderá argumentar a favor do motorista para evitar condenação.

Muitos condutores não recorrem por desconhecimento, mas a defesa pode ser eficaz se houver inconsistências no caso.

Conclusão

Ser acusado de dirigir sob efeito de drogas não significa automaticamente que o motorista perderá a CNH ou sofrerá outras penalidades. Se houver irregularidades na abordagem, nos exames ou na aplicação da penalidade, o condutor tem direito de recorrer.

Os principais passos para se defender incluem:

✅ Reunir provas (testemunhas, imagens, laudos complementares).

✅ Verificar erros no procedimento da fiscalização.

✅ Solicitar nova análise toxicológica caso o exame seja contestável.

✅ Buscar auxílio de um advogado especializado para apresentar o recurso.

Com uma defesa bem fundamentada, é possível reverter a penalidade e evitar prejuízos ao condutor. 

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Nicholas Rodrigues
February 26, 2025
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